Da captação para uma relação mais ampla
O BBVA ultrapassou a marca de um milhão de clientes na Itália, onde opera desde o final de 2021 com um modelo de banco 100% digital. A instituição atinge assim a meta que havia fixado para 2026, depois de comunicar em dezembro de 2025 que já superava os 800.000 clientes.
O banco entrou no mercado italiano com uma oferta centrada em contas e depósitos remunerados. Desde então, incorporou empréstimos pessoais, hipotecas, cartões de crédito e produtos de investimento, incluindo fundos e fundos cotizados (ETF). A evolução mostra uma mudança de foco: além de captar usuários, o BBVA busca que seus clientes utilizem mais serviços e o convertam em sua instituição principal.
«Alcançamos o milhão de clientes na Itália, o que reflete o sucesso do nosso modelo de banco 100% digital. Agora iniciamos uma nova etapa na Itália, centrada em nos tornarmos o banco principal dos nossos clientes e aprofundar nossa relação com eles», afirmou o presidente do BBVA, Carlos Torres.
Mais produtos, com a lucratividade como objetivo
Ampliar a gama permite ao banco atender a diferentes necessidades financeiras a partir de sua plataforma digital, além da poupança que impulsionou sua entrada no país. No entanto, o número de clientes não é suficiente por si só para determinar a lucratividade do negócio: as fontes disponíveis não fornecem cifras públicas sobre os resultados da operação italiana.
O responsável global de Bancos Digitais do BBVA, Murat Kalkan, apontou que a prioridade agora é consolidar a atividade na Itália e na Alemanha com um crescimento sustentável e lucrativo. Portanto, o milhão de clientes é um indicador de escala e aceitação do serviço, mas não atesta por si mesmo que a unidade já seja lucrativa.
Expansão digital também na Alemanha
A Itália é um dos dois mercados europeus onde o BBVA desenvolve sua estratégia de banco digital fora da Espanha. Em abril de 2026, seu banco digital na Alemanha superou os 100.000 clientes, segundo a informação publicada sobre a instituição. A comparação mostra que as duas operações estão em etapas distintas e não permite, por si só, equiparar sua evolução comercial ou financeira.
O BBVA também formalizou uma aliança estratégica e de patrocínio com o Inter de Milão, válida até 2029, para reforçar sua presença de marca na Itália. A instituição também incorporou ferramentas de inteligência artificial à sua estratégia digital; entre elas, um aplicativo integrado ao ChatGPT disponível na Itália e na Alemanha, de acordo com a informação fornecida.
Para as empresas que acompanham a expansão dos bancos digitais, o caso italiano ilustra dois indicadores diferentes: o crescimento da base de clientes e a capacidade de aprofundar a relação por meio de uma oferta mais ampla. A informação disponível confirma o primeiro marco e a mudança de prioridade declarada pelo BBVA, mas não permite avaliar ainda a lucratividade da operação.