A despedida de Lionel Messi da Seleção Argentina põe em evidência uma atividade empresarial que se desenvolveu em paralelo à sua carreira desportiva. O seu portefólio combina direitos comerciais e projetos em diferentes setores, dos hotéis e do imobiliário aos conteúdos audiovisuais e à tecnologia. Mais do que uma coleção de negócios geridos diretamente pelo futebolista, as fontes descrevem uma estrutura de sociedades e acordos com operadores especializados.
Uma estrutura que separa a marca da sua exploração comercial
O eixo societário referido na cobertura é a Limecu España 2010, uma holding familiar ligada a diferentes atividades patrimoniais e comerciais, juntamente com a Leo Messi Management (LMM), que administra direitos de imagem e acordos de marca. Segundo as últimas contas disponíveis citadas pelo iProfesional, o grupo faturou 109,3 milhões de euros em 2023; desse total, 86,2 milhões corresponderam à LMM, principalmente por direitos de imagem.
Estes valores descrevem receitas societárias de um exercício concreto: não equivalem necessariamente a lucros, património pessoal ou dinheiro recebido diretamente por Messi. Também não permitem atribuir o mesmo nível de faturação aos anos posteriores.
O modelo separa a titularidade de ativos — como o nome, a imagem e as licenças — da operação quotidiana de cada negócio. No vestuário, por exemplo, a LMM concedeu inicialmente uma licença à MGO Global para desenvolver e comercializar produtos da The Messi Store. Em março de 2024, segundo a informação empresarial citada pelo iProfesional, a MGO transferiu esse acordo para a Centric Brands. O acordo ilustra como uma marca pessoal pode manter o controlo dos seus direitos e, ao mesmo tempo, confiar a exploração de determinadas categorias a empresas com experiência comercial.
Hotéis e imóveis: ativos e gestão em separado
A atividade imobiliária e hoteleira é outro componente de destaque. As publicações mencionam a Edificio Rostower como veículo imobiliário e a Explotaciones Rosotel em relação ao negócio hoteleiro. A marca MiM Hotels reúne estabelecimentos em destinos europeus, entre eles Sitges, Ibiza, Maiorca, Baqueira, Sotogrande e Andorra. A Infobae informa que, no final de 2025, a Meliá Hotels International assumiu a gestão operacional dos seis hotéis e que a Rosotel faturou 21,8 milhões de euros em 2024.
Convém distinguir a propriedade dos imóveis da administração hoteleira: o facto de um grupo estar ligado aos ativos não significa que faça a gestão direta de cada estabelecimento. A delegação permite recorrer a operadores do setor, embora as fontes disponíveis não detalhem as condições contratuais nem a rentabilidade de cada hotel.
No imobiliário, as coberturas também identificam investimentos residenciais e comerciais, com presença em Barcelona e noutros mercados. A Revista Mercado descreve uma carteira de escritórios, habitações e estabelecimentos comerciais, enquanto a Infobae menciona o empreendimento residencial Carrasco M, em Rosário, juntamente com Ángel Di María. Os artigos apresentam exemplos de ativos e projetos, mas não um balanço consolidado que permita quantificar o valor total da carteira.
Clubes, tecnologia e entretenimento
O futebol também surge como área de investimento, embora as situações de cada clube não sejam idênticas. A Infobae enumera participações ou ligações a projetos no Uruguai, na Argentina e em Espanha, além do futuro interesse acionista no Inter Miami que, segundo uma declaração atribuída ao coproprietário Jorge Mas, se concretizaria quando Messi deixasse de jogar. A mesma cobertura refere que a aquisição do Club Deportivo Eldense aguardava autorização do Conselho Superior de Desportos quando a notícia foi publicada. Por isso, não se deve tratar todas essas relações como participações já formalizadas em condições iguais.
Fora dos ativos tradicionais, a Play Time Sports-Tech está orientada para investimentos em desporto, meios de comunicação e tecnologia. Na área dos conteúdos, a 525 Rosario é um projeto audiovisual associado a Messi e à Smuggler Entertainment. São áreas que ampliam a atividade para além dos patrocínios e das licenças, embora a informação consultada não discrimine os respetivos investimentos, receitas ou resultados.
As coberturas também mencionam projetos de restauração e produtos de consumo, incluindo uma participação na El Club de la Milanesa, vinhos, bebidas e fragrâncias. Em cada caso, a ligação pode assumir formas diferentes — investimento, licença, colaboração ou promoção — e as fontes não fornecem detalhes suficientes para atribuir a Messi a propriedade direta de todos os produtos ou empresas associados ao seu nome.
O que revela o modelo empresarial
A característica comum é a diversificação com uma divisão de funções: sociedades familiares e de gestão para organizar direitos e ativos, e parceiros ou operadores especializados para desenvolver negócios concretos. Essa estrutura pode alargar a marca a setores diferentes do desporto, mas não transforma automaticamente cada associação em propriedade direta nem permite inferir a sua rentabilidade.
Para as empresas, o caso evidencia a diferença entre possuir uma marca, conceder uma licença e operar o negócio que a utiliza. São funções que podem caber a entidades diferentes e devem ser analisadas separadamente. No caso de Messi, os dados publicados permitem identificar essa arquitetura e alguns valores de faturação, mas não reconstituir um estado financeiro completo nem avaliar o valor total do seu império empresarial.