Barcelos abre o concurso para construir a sua nova estação de tratamento
A Câmara Municipal de Barcelos abriu um concurso público para construir uma nova estação de tratamento de águas residuais (ETAR), com um orçamento de 35,4 milhões de euros. O anúncio foi publicado no Diário da República a 6 de outubro, segundo informou nesse dia o Observador. As empresas interessadas podiam apresentar as suas propostas até 23 de outubro; o prazo previsto para executar as obras é de 910 dias a partir da consignação.
O projeto será erguido na freguesia de Vila Frescainha São Pedro e substituirá a instalação atual, que funciona desde 1999. O município descreve-a como tecnicamente obsoleta e com capacidade limitada face à evolução demográfica, urbana e industrial do concelho. A abertura do concurso inicia a contratação da obra: não equivale à adjudicação do contrato nem confirma que os trabalhos tenham começado.
Financiamento europeu e alcance do investimento
A abertura do procedimento culmina uma fase anterior: em agosto, o ECO e a Braga TV informaram de que o executivo municipal tinha aprovado o lançamento do concurso internacional. Nessa cobertura, indicou-se que a operação supera os 35 milhões de euros e conta com cerca de 25 milhões de apoio da União Europeia, no âmbito do programa regional Norte 2030. Esse valor corresponde ao apoio anunciado para o projeto; as fontes disponíveis não detalham aqui a repartição final de custos nem possíveis variações durante a contratação.
A documentação do procedimento contempla a construção da estação e das suas infraestruturas auxiliares, com obras civis, circuitos hidráulicos, equipamentos e instalações elétricas e de telecomunicações. A nova ETAR está concebida para tratar tanto águas residuais domésticas como efluentes industriais. Segundo o município, cerca de 35 % dos caudais que recebe atualmente seriam de origem industrial, principalmente de tinturarias têxteis, cujos corantes e compostos orgânicos podem resultar difíceis de degradar.
Tratamento avançado e eficiência energética previstos
O design anunciado combina um processo biológico com tratamentos complementares. A fase biológica utilizaria microrganismos para reduzir a poluição; depois, filtros finos e ozono ajudariam a eliminar a cor e outros poluentes persistentes associados aos efluentes têxteis. A explicação municipal apresenta estas soluções como meios para alcançar os parâmetros legais de qualidade da água, não como resultados já comprovados: a instalação ainda deve ser construída e entrar em funcionamento.
O projeto também prevê reutilizar água dentro da estação, aproveitar alguns subprodutos e produzir energia para autoconsumo através de painéis solares e de uma pequena central hidroelétrica na saída da água tratada. O município estima que, uma vez operacional, a infraestrutura dará serviço efetivo a mais de 73.000 pessoas ligadas à rede. Trata-se de uma previsão ligada à entrada em funcionamento, não de uma cobertura já alcançada.
A estação de tratamento devolverá a água tratada ao rio Cávado, num entorno que, segundo a informação municipal, faz parte do Parque Natural do Litoral Norte. O município considera que reduzir a carga poluente contribuirá para melhorar a qualidade da água e proteger os habitats locais. O alcance real desses benefícios dependerá do funcionamento da instalação e deverá ser avaliado uma vez que entre em serviço.
Fontes e metodologia
A data de publicação do concurso, o montante de 35,4 milhões de euros, o fecho das propostas e o prazo de execução atribuem-se à informação publicada pelo Observador a 6 de outubro. Para contextualizar a etapa anterior, tiveram-se em conta as coberturas do ECO e da Braga TV de 5 de agosto sobre a aprovação municipal do concurso e o apoio europeu anunciado. Estas notícias correspondem a momentos distintos do procedimento e não se apresentam como cobertura independente da publicação de outubro. As características técnicas e as previsões ambientais atribuem-se ao município tal como aparecem nas informações consultadas.